De Córsega a Paris

 

Napoleone Buonaparte nasceu no ano de 1769, em Ajaccio, um vilarejo na Ilha da Córsega (que havia sido comprada recentemente pela França). O futuro general manteve seu nome em italiano até a fase adulta, quando tornou-se um militar reconhecido por suas habilidades estratégicas e rapidez de raciocínio.

 

Filho de Carlos Buonaparte e Letícia Ramolino, foi o segundo filho de uma família da pequena burguesia. Seu pai exercia a profissão de notário, hoje conhecida como escrevente público.

 

Sua vida começou a mudar quando a família conseguiu o reconhecimento da Corte francesa de que os Buonaparte da Córsega tinham direito ao título de nobreza. Isso possibilitou ao menino Napoleone freqüentar uma escola mais qualificada, que oferecia bolsas de estudos a filhos de nobres. Ele não desperdiçou essa chance: destacou-se em matemática, apesar de pouca aptidão para arte, cultura e música.

 

Aos quinze anos, Napoleão entrou para a famosa Escola Militar de Paris, onde optou pelo curso de Artilharia, que não era exatamente o sonho de todo jovem. Chique mesmo era fazer parte da cavalaria, unidade da tropa cuja função era enfrentar o inimigo de frente. Esse sim era o curso favorito dos nobres mais ricos. Mas ele, além de não ser rico, percebeu que a artilharia estava sendo aprimorada com recursos tecnológicos, e pensou: “esta é a arma do futuro, é para lá que eu vou”. Ele foi um excelente aluno e terminou o curso em um ano, quando o normal para a época era concluí-lo em 2 ou 3 anos.

 

Após várias colheitas malsucedidas, o aumento exorbitante no preço do pão e a decadência do regime monárquico, a França passou por uma série de revoltas populares a partir de 1785. Nesse momento, a pacata vida de oficial do exército desfrutada por Napoleone começou a mudar. Em 1789, o tenente Buonaparte foi convocado para conter as mobilizações populares que se multiplicavam em toda a França.

Apesar dessa ação, Napoleone escreveu uma série de panfletos em apoio ao movimento republicano e, por causa disso, com a queda da monarquia e a transformação do país em uma república, foi promovido a tenente-coronel da Guarda Nacional de sua cidade natal, Ajaccio, quando acabou com as intenções separatistas de seus conterrâneos da Córsega. Claro que isso teve conseqüências: toda a família Buonaparte teve que fugir da Córsega e se mudar para a França. Nessa ocasião, Napoleon mudou seu nome para Napoleão.Com os jacobinos de Robespierre no poder, durante o período da Convenção (1792-1795), Bonaparte foi chamado para dominar o porto de Toulon, que havia sido entregue aos ingleses pela população local que apoiava os monarquistas. Apesar de não ser o oficial de mais alta patente encarregado da operação, Napoleão convenceu o irmão de Robespierre (responsável pela administração da região em que se localizava Toulon) a adotar uma estratégia em que a artilharia seria a principal unidade a agir na operação. Os outros oficiais não concordaram prontamente com essa nova tática, mas foram forçados, por Robespierre, a aceitá-la. Como conseqüência da operação comandada por Napoleon, os monarquistas e os ingleses que ocupavam o porto foram expulsos em 48 horas. Com isso, cresceu o prestígio do jovem militar, que foi imediatamente promovido a general-de-brigada.Porém, com a queda do líder jacobino Robespierre, em julho de 1795, Bonaparte acabou “desempregado” e passou por maus bocados, incluindo duas semanas na prisão. Até que, em outubro, foi chamado para acalmar (entenda-se “botar para correr”) o povo que se revoltava contra a Convenção. Às custas da morte de mais de 200 pessoas, Napoleon garantiu seu futuro político e uma vaga entre as lideranças militares atuantes no período do Diretório (1795-1799). Pouco depois, ele se tornaria noivo de Josephine de Beauharnais, ex-amante de Paul Barras, presidente do Diretório.

 

Por Ederson Santos Lima e César Munhoz