Oliveira Neto convocou nesta
sexta-feira (16) uma reunião
com os representantes dos oito países lusófonos para
discutir as estratégias de elaboração do vocabulário
ortográfico oficial. O encontro está marcado para
a primeira semana de julho em Cabo Verde.
Outras indefinições
Segundo o professor José Carlos de Azeredo, da Comissão
de Definição da Política de Ensino, Aprendizagem,
Pesquisa e Promoção da Língua Portuguesa (Colip),
presidida por Oliveira Neto, há outras indefinições
que envolvem o hífen.
"Palavras como girassol e passatempo não têm
hífen. Porta-retrato, guarda-louça e tira-teima, têm
hífen atualmente. Não se sabe se essas palavras vão
ou não ter hífen", diz. "O que está escrito
no acordo é que o hífen desaparece quando se perde
a noção da composição de outras duas
palavras, mas isso é muito subjetivo", afirma.
Outra dúvida é a palavra taoísmo, mas não
pelo uso de hífen. No vocábulo, o problema é o
acento: o acordo não deixou definido se ela perderá ou
não o sinal gráfico.
Vocabulário da ABL
“O acordo prevê que haja um vocabulário ortográfico
comum aos oito países que falam o idioma. A Colip propõe
que enquanto isso não acontece, a Academia Brasileira de
Letras faça um vocabulário parcial com as palavras
afetadas pela reforma. Isso irá dirimir uma série
de dúvidas técnicas deixadas pelo acordo”, explica
Oliveira Neto.
A Colip enviou esta semana
ao ministro da Educação,
Fernando Haddad, a sugestão para que a ABL faça o
vocabulário parcial. “É mais fácil fazer parcialmente,
assim só colocamos as palavras afetadas pelo acordo. E esta é uma
atribuição histórica da Academia Brasileira
de Letras”, diz o presidente da comissão.
Portugal aprovou o acordo
A notícia de que Portugal aprovou o acordo nessa sexta-feira
foi bem recebida no Brasil. "Essa decisão dá uma
nova dimensão à presença da língua portuguesa
no mundo. Abre a possibilidade de lutar para que se torne uma das
línguas oficiais da ONU”, disse Oliveira Neto.
As mudanças na forma de escrever o idioma em Portugal vão
valer dentro de seis anos, enquanto no Brasil os livros escolares
deverão ser mudados até 2010. “Portugal está dando
este prazo para esclarecer os pontos obscuros do acordo”, avalia
o presidente da Colip.
Houve grande polêmica em Portugal. Uma petição
na internet, que tentava convencer parlamentares a votar contra
o acordo, criticava a proposta por entender que significava que
o país cedia aos interesses brasileiros. O documento teve
mais de 35 mil assinaturas desde o início do mês, grande
parte delas de intelectuais.
O que muda com o acordo?
O novo alfabeto vai incorporar
o “k”, o “w”, e o “y”, ficando, então, com 26 letras. Haverá a supressão de
acentos diferenciais, como o de “pára”, do verbo parar; de
acentos agudos em ditongos como o de idéia (virará “ideia”);
e do circunflexo em “vôo” ou “crêem”; além de
mudanças com o hífen.
E o trema (aqueles dois pontinhos
que ficam sobre o “u” de lingüiça,
por exemplo) desaparecerão.
Fonte: G1