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Um
dicionário colaborativo
Primeiro grande dicionário
a chegar ao Brasil, Caldas Aulete ressurge atualizado
e aberto a colaborações
em versão digital.
“Para
falar de dicionários,
comecemos pelo conceito”, diz o veterano editor Paulo Geiger, que
há 40 anos escreve verbetes que certamente você já consultou
um dia. “Em suas páginas, não se criam palavras e nem
significados. O que está nele não é lei também.
Dicionário é apenas um ‘apreensor’ daquilo que é falado
pelas pessoas e um eixo de entendimento entre elas. Assim, se você lê uma
palavra que não compreende, pode consultá-la e descobrir
o que quem a escreveu quis dizer, completando assim o processo de
comunicação”, teoriza Geiger, com a autoridade de quem
já foi responsável por conteúdos de Barsa e Larousse
e colaborou para Aurélio e Houaiss.
Consulte o Aulete Digital.
Atualmente, Geiger
trabalha na atualização do dicionário
Caldas Aulete. Surgido em Portugal no final do século XIX,
o compêndio teve três edições na antiga
metrópole e chegou ao Brasil em 1950, numa extensa edição
de 5 volumes, adaptada para o país pelo lexicólogo Hamílcar
de Garcia. “O Aulette foi o primeiro grande dicionário do Brasil.
A edição original, sobre a qual estamos trabalhando,
possui cerca de 220 mil verbetes”, conta Geiger.
Agora, digital
O
Caldas Aulete de hoje é o primeiro dicionário on-line
colaborativo no país. “Resolvemos priorizar o meio eletrônico.
Percebemos que na internet poderíamos conceber a idéia
de um dicionário sem limites, contínuo, que cresça
tanto quanto precise”, explica o lingüista. Dessa maneira, além
de consultar o banco de palavras e significados, o leitor pode sugerir
a inclusão de novos verbetes ou até mesmo a modificação
de significados consolidados. Geiger e sua equipe analisam as sugestões,
acatando-as ou não. Segundo o lexicólogo, entre as famosas edições
impressas, cada uma tem um estilo e um propósito. É assim
com o Houaiss, mais erudito, voltado para o aspecto lingüístico,
reflexo da preocupação que seu autor, Antônio
Houaiss – amigo pessoal de Geiger –, tinha com a gênese de cada
palavra. É assim com o Aurélio, repleto de exemplos
extraídos da literatura por seu autor, Aurélio Buarque
de Holanda Ferreira, profundo conhecedor da produção
literária brasileira.
O Aulete Digital não segue um rumo autoral, mas um tempo,
o tempo da internet. Ele se propõe a ser uma ferramenta genérica,
com a maior quantidade possível de informações.
“Investimos em usabilidade. Esse conceito está tanto no sistema
de busca das palavras, como na qualidade e na quantidade de informações.
Em um verbete, o usuário encontra de forma fácil a origem,
aspectos gramaticais e significados mais comuns das palavras. Tudo
que ele precisa para uma consulta ágil”, diz Geiger.
História
O hábito de se registrar usos e significados das palavras surgiu
ainda na Antiguidade Clássica, durante o século I, na
Grécia. Mas o primeiro dicionário moderno, conforme
conhecemos hoje, surgiu na Inglaterra e chamava-se Oxford English
Dictionary. Ele foi elaborado ao longo de 70 anos e contou com a participação
de diversos britânicos que enviavam para os editores palavras
e significados extraídos dos livros.
Em Língua Portuguesa, a história começa no século
XIX com Rafael Bluteau, que fez o primeiro esforço de reunir
as palavras e significados da língua de Camões. Seguiu-se
a ele a tentativa da Academia Real de Ciências de Lisboa em
1790, mas o dicionário proposto pela instituição
da coroa não conseguiu passar da letra “A”. Outros como o Dicionário
Morais, do lingüista Antônio de Morais e Silva, ainda no
século XIX, e o Laudelino Freire, no começo do século
XX, foram importantes referências. A primeira edição
do Caldas Aulete foi publicado em Lisboa em 1880 e reeditado em 1925.
No Brasil, foi lançado em 1950 e reeditado na década
de 1980.
Fonte:
Revista Nova Escola.
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