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Chega
de desenho pronto (e mimeografado).
Muitos professores da Educação Infantil acreditam
que o desenho deve representar a realidade e se aproximar dela.
Fiéis a essa convicção, usam em sala de aula imagens prontas, mimeografadas.
Há algo errado nisso? Sim. Antes de mais nada, vale notar que
as primeiras manifestações visuais das crianças são gráficas: as linhas.
Seus desenhos resultam em grafismos que registram gestos diversos.
O corpo todo pode estar envolvido na atividade e, por
isso, é importante garantir possibilidades de movimento, oferecendo
suportes variados em tamanho e formato. Desenhar em pé,
sentado, de joelhos, tendo como suporte o chão,
a parede ou o papel sobre uma mesa permite uma experimentação ampla.
A imagem pronta desconsidera isso tudo, pois remete à idéia
de que a criança não desenha. A produção
de cada aluno se apaga. Quando iniciam as tentativas de figuração,
muitos acabam por achar que o desenho “certo” é aquele
entregue pelo professor. Assim, quando é pedido que realizem
um desenho, eles dizem que não sabem, pois só copiam.
Isso mostra que as imagens com as quais os pequeninos estão
em contato influenciam sua produção gráfica.
Se quisermos ampliar seu repertório, precisamos oferecer diferentes
referências de desenho – para apreciar, olhar e conversar sobre
as diferentes possibilidades gráficas. Observar
ilustrações
criadas por adultos e crianças, sintéticas e
complexas, com
muitas e poucas linhas, com figuras reconhecíveis ou
não, ajuda cada um a encontrar e identificar o próprio modo de desenhar.
Consultoria: Marisa Szpigel,
selecionadora do Prêmio Victor Civita Educador Nota 10
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