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Balé no
ar
Conheça os beija-flores, aves incríveis
que conseguem parar no ar e até voar para trás!
Eles são exibidos, inventam piruetas, vão de um lado para o outro numa
velocidade incrível, conseguem parar no ar e até voar para trás. Temos
a impressão de assistir a um balé. A única diferença é que os atores
desse espetáculo não têm pernas e braços e sim asas. Estamos falando
dos beija-flores!

Durante
o dia, dificilmente eles pousam para descansar. O rápido bater das asas e as acrobacias
durante o vôo fazem com que os beija-flores gastem muita energia.
Eles a repõem se alimentando: quando dizemos que estão beijando
as flores, na verdade estão sugando o néctar, uma substância açucarada
que fica no cálice das flores e é a refeição favorita dessas pequenas
aves.
Aliás, pequenos só no tamanho, porque seu apetite é enorme. Até que
fiquem satisfeitos, visitam
várias flores e ainda caçam pequenos insetos e aranhas. Buscando alimento
em uma flor e outra, os beija-flores sem querer levam no bico e nas penas alguns
grãos de pólen. Ao pousarem em flores da mesma espécie, esses grãos podem cair
dentro do cálice delas e fecundá-las, formando uma nova semente: é o processo
da polinização.
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O
Heliactin cornuta, o mais rápido dos
beija-flores, pode voar a 60 km/h
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E
quem vê os beija-flores
fazendo estripulias no ar nem imagina que cada um tenha seu próprio
território determinado pela área de alimentação. Pobre do beija-flor
que invadir o espaço do outro. Vai precisar de muita coragem para
enfrentar um a briga feia, porque entre eles o lema é "amigos, amigos,
territórios à parte"!
Em sua área, o beija-flor não só se alimenta, mas também toma banho em córregos,
na chuva ou nas folhas molhadas pelo orvalho. Depois, ele se seca ao sol e, à noite,
abriga-se nas folhagens para dormir. Nas noites muito frias, a temperatura
de seu corpo diminui e ele descansa totalmente imóvel. Esse fenômeno é chamado
hibernação.
Para
conquistar uma namorada, o beija-flor macho exibe sua plumagem colorida e brilhante,
fazendo muitos malabarismos. Geralmente, essa espécie inicia a reprodução na
primavera. É a fêmea que constrói com palha e paina, como são chamados os fios
que envolvem algumas sementes, um ninho confortável e quentinho em forma de
tigela. Para que o berço de seus filhotes não se desfaça, a mãe costura tudo
com teia de aranha e saliva. Depois disso, ela está pronta para colocar seus
ovos, normalmente dois, e cuidar dos filhotes até trinta dias depois do nascimento,
alimentando-os com insetos e néctar.
Os beija-flores podem viver de cinco a oito anos, mas saiba que eles se encontram
ameaçados pela destruição de seus ambientes naturais. Nas cidades, o plantio
de flores ricas em néctar, como hibiscos e gravatás, e o uso de garrafinhas
com água açucarada em parques e jardins são medidas simples que permitem a
presença de um beija-flor. Se você quiser receber uma visita dele, basta ter
uma dessas garrafinhas penduradas na varanda da sua casa ou até mesmo na janela
do seu quarto. Anote aí a receita: misture de quatro a seis partes de água
com uma parte de açúcar não refinado. A cada dois dias, jogue fora a mistura
anterior, lave a garrafinha e prepare uma nova.
Expedição grava imagens inéditas e sons de beija-flores
Cientistas pretendem encontrar novas espécies e proteger as ameaçadas de extinção
A
Expedição Colibris, realizada em março, localizou e estudou
beija-flores típicos do Brasil. A equipe responsável pelo trabalho registrou
imagens inéditas e sons dessas aves fundamentais para a
manutenção dos ecossistemas. Um dos objetivos do grupo era reunir dados que possam
ajudar a preservar os colibris (como também são chamados
esses pássaros), pois muitos correm hoje risco de extinção. Os pesquisadores
pretendiam também documentar algumas espécies ainda
desconhecidas de beija-flores.
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| A
Expedição Colibris filmou espécies
de beija-flor nunca
antes registradas, como a Augastes lumachellus
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Na
primeira etapa da expedição, especialistas percorreram trechos da floresta da
Estação Biologia Marinha Ruschi, no Espírito Santo. "Conseguimos imagens inéditas
do ninho da rara espécie de beija-flor Phaethornis
idaliae", conta o ecólogo André Ruschi, diretor da Estação e um
dos coordenadores da pesquisa. O P. idaliae está ameaçado
de extinção, o que pode ter conseqüências graves para todo seu ecossistema. Essa
ave é a principal responsável pela
polinização de bromélias terrestres, que correspondem ao hábitat do caranguejo
azul. "Se o beija-flor desaparecer, a reprodução das
bromélias ficará prejudicada e o caranguejo, sem proteção, virará uma
presa fácil e poderá ser extinto", explica Ruschi.
Em seguida, a equipe viajou pela Chapada Diamantina, na Bahia. "Colibris nunca
antes filmados na natureza, como o Augastes lumachellus (beija-flor-de-gravata-roxa)
e o Heliactin cornuta (chifrinho-de-ouro),
foram registrados por nossa equipe", comemora Ruschi. "O H.
cornuta é a espécie mais rápida de beija-flor: ele chega a atingir
60 quilômetros por hora."
Sons e imagens foram registrados com equipamentos modernos, capazes de gravar
o canto dos beija-flores com o máximo de fidelidade e filmar as aves bem de perto.
O registro dos sons foi feito pelo ornitólogo Jacques Vielliard, da Universidade
Estadual de Campinas (Unicamp). Já as filmagens ficaram sob responsabilidade
dos franceses Gregory e
Ariane Guida. Participaram ainda da Expedição Colibris a neurocientista Maria
Luisa da Silva, da Universidade de São Paulo, e os franceses Lily e Henry Quinque,
especialistas em reprodução de animais em extinção.
"
Na Chapada Diamantina, uma de nossas intenções era localizar o Colibri
delphinae greenewalti -- que não é registrado há 25 anos --, mas
não o encontramos desta
vez", lamenta Ruschi. Os pesquisadores querem realizar outras
expedições. "Pretendemos identificar as espécies mais ameaçadas e tomar medidas
adequadas para protegê-las, como parcerias com órgãos públicos,
incentivos à criação de reservas ambientais, cursos e arrecadação de fundos
para pesquisas."
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Canto dos beija-flores
Que tal ouvir os rápidos e agudos sons de beija-flores? O grupo
do ornitólogo (especialista em aves) Jacques Vielliard, da Universidade
Estadual de Campinas, gravou o canto de algumas espécies de beija-flor.
Clique aqui para saber mais sobre a expedição desses cientistas
ou nos links abaixo para ouvir o canto dessas aves:
Augastes
lumachellus (beija-flor-de-gravata-roxa - 516 KB)
Colibri
serrirostris (beija-flor-de-orelha-violeta - 732 KB)
Heliactin
cornuta (chifrinho-de-ouro - 152 KB)
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adaptado do artigo originalmente
publicado
em Ciência Hoje das Crianças 74 escrito por:
Ana Beatriz de Aroeira Soares,
Departamento de Zoologia,
Universidade Federal do Rio de Janeiro
e Fernanda Marques
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