A tarefa de casa diária é obrigatória e sinal de qualidade de ensino?

 

Nenhum procedimento ou instrumento é, em si mesmo, sinal de qualidade no ensino e nem garantia de aprendizagem. A qualidade e a excelência são encontradas na intencionalidade e na forma: Para quê? Para quem? Quando? Como ensinar? Todas essas questões, por sua vez, devem estar submetidas a uma visão de homem, de mundo e de educação. Com essa afirmativa, estou dizendo que uma aula pode ser mediada utilizando, como instrumentos de apoio, apenas o quadro de giz, papel e lápis, e constituir-se em uma aula inesquecível. Mas também pode acontecer o contrário: o professor ter como instrumentos de apoio materiais sofisticados, como computador, jogos eletrônicos e a aula não atingir o seu verdadeiro objetivo que é o de provocar aprendizagens significativas.


Professora, perceba que eu, intencionalmente, repeti "instrumento de apoio". Isso ocorreu para enfatizar que eles não garatem a aula exitosa e para provocar a reflexão de que a qualidade só pode ser encontrada nas pessoas que produzem e buscam qualidade.


Nessa direção de pensamento, encontra-se a "tarefa de casa". Para que ela se constitua como um dos instrumentos que irão garantir excelência e qualidade de ensino e na aprendizagem, deve partir de uma direção/objetivo bem claro ao professor. Deverá também estar explicitada de forma que o aluno tenha condições de resolvê-la e na medida certa para garantir o espaço e o apoio adequado ao sucesso da tarefa, contudo, jamais fazê-la pelo aluno. Um dos objetivos de tal atividade é provocar autonomia, e o que não se deseja é que se torne mecânica, estressora e desgastante.


Para finalizar, a tarefa, de casa faz parte de um grupo de responsabilidade do aluno em seu papel de sujeito que aprende. Assim, os resultados não serão encontrados na periodicidade e volume, mas na repercurssão positiva no repertório do aprendiz.

Artigo da Revista Aprendizagem da Editora Melo por Isabel Parolin,
Mestre em Psicologia da Educação; Psicopedagoga Clínica Credenciada pela ABPp; Autora e Co-Autora de Livros da área.
isabel.parolin@bbs2.sul.com.br